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Gestão empresarial entra na rotina dos profissionais da estética

por Matheus Mattuvo

Crescimento do setor amplia busca por gestão, liderança e controle financeiro entre especialistas da beleza

Com o crescimento do número de profissionais atuando de forma autônoma ou abrindo os próprios espaços, especialistas do setor defendem que dominar procedimentos já não é suficiente para sustentar crescimento, lucro e previsibilidade financeira. Dados do Sebrae mostram que o segmento de beleza segue entre os que mais abrem pequenos negócios no país, impulsionado principalmente por profissionais independentes e microempreendedores individuais.

Para Saulo Abrahão, empresário do setor da beleza, fundador do salão Duo+ e criador da Mentoria Voe Alto, a profissionalização da gestão se tornou uma necessidade para quem deseja transformar conhecimento técnico em negócio sustentável. “Muitos profissionais aprendem a executar muito bem um procedimento, mas nunca foram preparados para liderar equipe, controlar números ou tomar decisões empresariais. O problema é que o crescimento sem estrutura cobra um preço alto”, afirma.

Mercado de estética cresce, mas gestão ainda é desafio 

Relatório da Grand View Research aponta que o mercado global de estética deve manter crescimento acelerado nos próximos anos, impulsionado pela demanda por procedimentos minimamente invasivos e serviços ligados à imagem pessoal. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Dermatologia e entidades do setor vêm alertando para o aumento da procura por especializações rápidas, especialmente em áreas como micropigmentação labial, sobrancelhas e paramédica.

Segundo Abrahão, muitos profissionais entram em uma rotina de sobrecarga porque transformam o talento técnico no centro absoluto da operação. “O salão ou o estúdio passa a depender exclusivamente da presença do dono. Isso limita a escala, aumenta o desgaste emocional e dificulta qualquer planejamento financeiro”, diz.

Técnica já não basta para sustentar crescimento na beleza

Criado por Saulo, o Método Voe Alto surgiu como braço educacional voltado à formação de empresários da beleza com foco em mentalidade, liderança, indicadores e previsibilidade financeira. A metodologia foi construída a partir da experiência prática do empresário na gestão do próprio salão e hoje atende donos de salões e profissionais da estética em diferentes regiões do país.

Em vez de focar apenas na execução de procedimentos, o programa trabalha a estrutura organizacional, a rotina de gestão, controle financeiro, liderança de equipe e posicionamento empresarial. “O profissional da beleza aprendeu durante anos a atender cliente, mas não a comandar empresa. Quando ele entende gestão, deixa de viver apagando incêndio e começa a construir previsibilidade”, afirma.

Profissionais da estética passam a buscar visão empresarial

O especialista também aponta que um dos principais erros do segmento é associar faturamento alto à saúde financeira. “Existe salão cheio com dono endividado. Existe agenda lotada sem lucro. Sem controle financeiro e indicadores claros, o crescimento vira desorganização”, diz.

A busca por formação em gestão acompanha uma mudança no perfil dos profissionais da beleza. Muitos passaram a enxergar a estética como negócio de longo prazo, com estrutura empresarial própria, contratação de equipes e expansão de unidades. “A beleza deixou de ser apenas execução técnica. Hoje, quem quer crescer precisa entender pessoas, cultura, processos e números”, afirma Abrahão.

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