Com redes sociais ganhando peso frente à TV como fonte de informação política, Zuza Nacif aponta que campanhas precisarão operar ecossistemas com canais diretos, distribuição e governança
A disputa por atenção no ambiente digital entrou em uma fase em que presença em redes sociais, isoladamente, tende a não sustentar relevância pública. Em 2026, a pressão sobre campanhas e lideranças políticas deve aumentar porque o consumo de informação se pulverizou, o alcance orgânico se tornou menos previsível e a jornada do eleitor passou a ocorrer em múltiplas telas, com decisões influenciadas por mensagens curtas, vídeos e conversas em grupos.
A mudança de comportamento aparece em pesquisas recentes. Um levantamento da Quaest divulgado em janeiro de 2026 indicou que 39% dos brasileiros afirmam se informar principalmente sobre política pelas plataformas digitais, enquanto 34% mencionam a televisão, em uma inversão registrada desde o início da série em 2024. O dado reforça o reposicionamento do centro de gravidade da comunicação política: a disputa deixa de ser concentrada em poucos canais e passa a demandar coordenação distribuída, com recorrência e consistência.
Nesse contexto, cresce a transição do modelo centrado em “perfil em plataforma”, com foco quase exclusivo em redes sociais, para o modelo de “ecossistema digital”, que combina presença pública com canais diretos e uma rede de replicação organizada. A lógica é integrar redes e busca com rotinas de relacionamento, distribuição e circulação de mensagens, sem recorrer a práticas irregulares como perfis falsos. O objetivo é sustentar volume e frequência com menor dependência de variações de algoritmo e, ao mesmo tempo, reduzir ruídos em períodos de excesso de informação.
Zuza Nacif, estrategista de comunicação política e digital, descreve esse movimento como uma mudança estrutural. Na avaliação dele, campanhas que entram em 2026 restritas a Instagram, Facebook e TikTok correm o risco de operar apenas a “vitrine”, sem construir a engrenagem que sustenta repetição e capilaridade.
A alternativa, segundo Nacif, é consolidar uma cadeia de comunicação que combine canais de WhatsApp, grupos segmentados, disseminadores e mobilizadores capazes de ampliar a circulação das mensagens tanto no digital quanto em interações presenciais.
Para ele, a estrutura costuma se organizar em três frentes. A primeira é a exposição pública, que gera alcance inicial e coloca temas em circulação. A segunda é o relacionamento, baseado em canais diretos, bases segmentadas e cadência, com capacidade de entrega recorrente.
A terceira é a mobilização distribuída, quando apoiadores, lideranças locais e redes temáticas replicam mensagens e ativam conversas, ampliando a presença no cotidiano do eleitor. O ponto central, nesse modelo, não é apenas “estar em mais lugares”, mas manter coerência narrativa, repetição suficiente para fixação e agilidade para responder a eventos do dia.
A exigência de governança também aumenta. Estratégias multicanal passam a depender de matriz de mensagens, padronização de linguagem, protocolos de resposta e monitoramento contínuo para evitar dispersão e contradições. Sem coordenação, a tendência é produzir volume sem consistência, multiplicar versões do mesmo recado e perder clareza. Em campanhas, esse efeito costuma ser intensificado por decisões descentralizadas e pelo ritmo acelerado do noticiário.
Além do aspecto operacional, 2026 deve ampliar a atenção ao ambiente regulatório. O Tribunal Superior Eleitoral realizou, de 3 a 5 de fevereiro de 2026, audiências públicas para receber sugestões sobre as resoluções que orientarão o processo eleitoral, em formato híbrido e com participação da sociedade.
O movimento reforça a centralidade do debate sobre regras e condutas, incluindo temas ligados à dinâmica digital, o que eleva a necessidade de rastreabilidade, controles internos e definição clara de responsabilidades.
Na leitura de Nacif, a adaptação exigida não é apenas de linguagem. Trata-se de operar comunicação como sistema, com disciplina de execução, testes de mensagem, segmentação e um modelo de distribuição que funcione mesmo quando o alcance em redes oscila. O foco deixa de ser a publicação isolada e passa a ser a arquitetura: o que se diz, para quem, em qual canal, com qual cadência e com qual mecanismo de replicação.
Se 2026 tende a consolidar o digital como ambiente central de formação de opinião, a consequência para as campanhas é direta: não basta abrir perfis e produzir conteúdo. Será necessário construir ecossistemas que conectem canais, rotinas e redes de distribuição, com governança suficiente para sustentar volume, frequência e consistência ao longo de todo o ciclo eleitoral.









“Tô muito animado pra correr uma boa parte do país com esse projeto que sempre foi muito bem recebido pelo público por onde já passou. Estamos preparando um show com mais de quatro horas, para a galera curtir essa resenha especial”, vibra Mumu.



